Realidade dos Catadores de Materiais Recicláveis no Brasil 

O lixo continua sendo um dos grandes desafios socioambientais no Brasil, e os catadores desempenham um papel fundamental na solução desse problema.

Para muitos brasileiros, o lixo se tornou uma oportunidade para garantir sua sobrevivência e dignidade.

Mas será que esse trabalho garante a dignidade que esses trabalhadores merecem?

Nesse artigo apresentaremos a dualidade entre o lixo como fonte de renda e os enfrentamentos que esse trabalho possui.

Atualmente, os catadores de materiais recicláveis se dividem entre os centros urbanos e os lixões.

Muitos deles preferem se direcionar diretamente aos lixões pois lá há uma maior concentração de materiais para reciclagem e não precisam andar grandes percursos a pé com suas carroças e carrinhos em que levam uma grande quantidade de peso na força braçal. 

Os lixões são definidos pelo IBGE como:

“locais utilizados para disposição do lixo, em bruto, sobre o terreno sem qualquer cuidado ou técnica especial, sem medidas de proteção ao meio ambiente ou à saúde pública”.

Nesses ambientes insalubres e sem controle sanitário e ambiental, encontram-se os catadores de materiais recicláveis.

O número atual desses trabalhadores no país pode estar entre 300 mil e 1 milhão, segundo estimativa do Ministério do Desenvolvimento Social e de Combate à Fome, que desde 2003 coordena o Comitê Interministerial de Inclusão Social de Catadores de Materiais Recicláveis (MDS, 2013).

No entanto, a PNSB (IBGE, 2002 e 2010) registrou a existência de apenas 24.340 catadores atuando em lixões no país, conforme dados fornecidos por 1.548 municípios que reconheciam essa atividade.

Em 2000, foram reportados 70.449 catadores por 1.488 municípios. Já em 2010, esse número quase triplicou, refletindo um crescimento significativo na quantidade de catadores informados.

Dados mais atualizados ainda dizem que, em 2019, 29 milhões de toneladas de lixo foram descartadas de maneira incorreta no Brasil — 40,1% do total produzido.

Ao menos 3.000 dos 5.570 municípios do país mantêm lixões a céu aberto, e quase metade deles ainda utiliza os locais para depositar resíduos sólidos, segundo a Abrelpe (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais).

A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) – Lei nº 12.305/10 exige dos setores públicos e privados organização e transparência no manejo com os resíduos.

Apesar dessa lei estar em vigor para a melhoria dos problemas ambientais do país, o tratamento adequado ainda não acontece na maior parte das cidades brasileiras, as quais seguem destinando seu lixo para os lixões, onde inúmeras pessoas trabalham em condições desumanas.

Embora os catadores já tenham conseguido a abertura de cooperativas ou associações em busca de reconhecimento e valorização da profissão, os riscos que enfrentam seguem diariamente, como por exemplo, a exposição a resíduos tóxicos, cortantes  e contaminados.

A rotina diária de trabalho dos catadores é exaustiva e realizada em condições precárias, muitas vezes trabalham mais de doze horas por dia, sem controle de horas de trabalho, os carrinhos são puxados pela tração humana, carregando entre 200 a 600 quilos de material reciclável e percorrendo mais de vinte quilômetros por dia.

Apesar de todo esse trabalho a recompensa monetária é extremamente baixa, sendo inviável para a sobrevivência e para os gastos de uma vida justa.

O valor por quilo depende do tipo de material recolhido e  varia entre vinte centavos a cinco reais.

Atualmente (2022), vem acontecendo um crescimento no número de catadores de materiais recicláveis por conta do aumento da taxa de desemprego.

Muitos deles não têm escolaridade ou endereço físico, o que acaba tornando ainda mais desafiador uma vaga no mercado de trabalho.

Após dez anos de espera, recentemente  a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) estipulou o fim dos lixões em até dois anos e o reaproveitamento da metade dos resíduos até 2040.

Infelizmente, essa meta ainda não foi atingida e, hoje, em 2025, o Brasil ainda possui cerca de 3 mil lixões ativos, conforme estimativas da Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema).

Esse novo regulamento visa também “qualificar, fortalecer e formalizar a prestação de serviços por associações e cooperativas de catadores”.

A sociedade tem um papel fundamental tanto na melhoria do meio ambiente em que vivemos como na dignificação de todos os seres.

É necessário cobrar dos governantes políticas públicas para a melhoria de todos os trabalhadores e começar a enxergar os catadores como papel fundamental para um planeta mais limpo e harmônico, como agentes de limpeza para uma cidade mais receptiva e como pessoas que, assim como todas as outras, estão trabalhando e buscando uma vida digna.

Aqui na Realixo, todos os resíduos recicláveis coletados nas residências, empresas e eventos dos nossos clientes são doados à cooperativa de catadores Coopamare, contribuindo para o aumento da renda e das condições de trabalho desses profissionais.

Junt@s, podemos tornar esse mundo um lugar melhor para todos.

2 comentários em “Realidade dos Catadores de Materiais Recicláveis no Brasil ”

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